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A forma física modifica a função do corpo

Sílvio Prieto


Uma das coisas que mais espontaneamente se comenta é, sem dúvida alguma, a forma física deste ou daquele indivíduo. Não gostaria de repreender tais observações, mas, dada a assiduidade do assunto, gostaria de fazer algumas considerações que direcionassem melhor a forma de percebermos e olharmos para o corpo.
Ao se falar de forma física me vem à mente o que a Dra. Ida Rolf dizia: “Temos uma grande noção de eficiência dinâmica com relação a carros, lanchas e jatos, mas esta noção não se estende aos nossos próprios corpos”. Segundo a Dra. Ida Rolf, se repararmos na posição dos pés de algumas pessoas ao andarem ou ficarem de pé e transpusermos este posicionamento para as rodas de um carro, por exemplo, este não sairá do lugar.
Ela cita também a forma do corpo de um halterofilista, questionando a razão de se desenvolver um músculo a tal ponto que pareça uma asa, sendo que esta (forma) não contribui em nada na facilidade de deslocamento (função). Temos muita dificuldade em perceber a relação que existe entre forma e função, pois isso não nos foi ensinado. Somos corporalmente (forma) aquilo que fazemos (função) com nossos corpos. Isto é, a maneira como respiramos, andamos, sentamos, enfim, usamos o nosso corpo, é que determinará como ele se formará, ou seja, a forma que acabará por ter.
Tenho cada vez mais reservado parte de minhas sessões a este esclarecimento, usando a particularidade de cada cliente; a compreensão deste ou daquele padrão é chave fundamental para a correção dele. Costumo também lembrar uma célebre frase da Dra. Ida Rolf: “Não somos matéria que sub existe, mas padrões que se perpetuam”. Isto aumenta em muito a nossa responsabilidade, sobretudo se pensarmos que não seremos os únicos a nos prejudicar com nossa falta de consciência...

Sílvio Prieto é rolfista avançado, certificado pela GSI.

Método Rolf e a prática de Pilates

 

Regina Souza Campos

Trabalho com bola em Pilates

Uma das perguntas mais frequentes é a respeito da escolha entre Pilates e Método Rolf.
São técnicas distintas ,mas que se casam e se somam quando respeitam os mesmos princípios.
Pilates é uma técnica desenvolvida por Joseph Pilates, que utiliza aparelhos especiais e trabalha o corpo de dentro para fora, liberando a respiração, proporcionando maior flexibilidade, alongamento e desenvolvendo a consciência corporal.
A musculatura extrínseca, essa que usamos sem perceber no dia a dia, acaba entrando em colapso se não encontra apoio e sustentação na musculatura intrínseca, a que realmente é responsável pelo movimento e pela forma.
O Pilates desenvolve o equilíbrio desses dois grupos musculares proporcionando conforto, bem-estar e,  sem dúvida, qualidade de vida.
Como o Método Rolf libera e organiza o corpo de forma profunda e efetiva, nada mais correto do que afirmar que Pilates é a modalidade que mais se encaixa quando se busca a manutenção dos benefícios oferecidos pelo Rolf.
A vivência dos exercícios enriquece as descobertas que foram feitas no processo de Rolf. Ou seja, teremos um Rolf em movimento.
Precisamos no entanto prestar muita atenção na hora de escolher onde praticar Pilates. Como já disse acima, os princípios que fazem de Rof e Pilates técnicas complementares precisam ser respeitados.
Sugiro que os profissionais de Rolf façam a avaliação e posterior indicação para seus pacientes. Fiquem em contato com os profissionais de Pilates e se  certifiquem do trabalho desenvolvido.
Um profissional de Pilates, com uma boa formação, é reconhecido facilmente por um profissional de Rolf.
As aulas costumam ser pouco repetitivas, motivadas pela pluralidade de movimentos.Também vale ressaltar que  o nível de dificuldade serve como um desafio positivo, que leva a pessoa à conquistas cada vez mais prazerosas.
Sessões de Rolf, de tempos em tempos, aliadas à prática frequente de Pilates , podem garantir uma vida bem mais rica e feliz.
Experimente ...Seu corpo vai agradecer e sua alma rejuvenescer...

Regina Souza Campos é proprietária e coordenadora da Flex - Pilates & Rolfing, de Campinas.

Mandala Viva explicada

 

Nelson Coutinho

A Mandala Viva é um livro muito simples. É também muito profundo, mas devo dizer que as coisas profundas são simples. A complicação é nossa.
A Totalidade é a cura, a grande cura. A cura em um sentido mais amplo, além dos sintomas. A Totalidade é a meta da vida, é o grande aprendizado.
A dificuldade do livro, como é dito no início, é devido à falta de experiência. Para quem nunca teve uma experiência de integração é difícil imaginar do que estamos falando. O fenômeno da integração está envolvido em todos os grandes acontecimentos da vida humana. Mas, também, ocorre no cotidiano, após uma série de exercícios bem feitos, ou depois de um sonho forte, de uma sessão de análise, de um filme com conteúdo, de fazer amor, etc.
A Totalidade então é isso: tornar-se inteiro, criar uma Unidade. Tornar-se quem você é. Mas é claro que isso se dá em níveis, você vai pela vida realizando totalidades.
O livro vai falar justamente disso, e vai explicar que este fenômeno pode acontecer através da alma e/ou através do corpo. Por isso apresentamos uma teoria psicológica que fala com propriedade da integração pela alma, e uma teoria corporal que nos dá clara noção do que a integração pelo corpo significa.
É interessante perceber que duas teorias diametralmente opostas, uma é psicológica e a outra corporal, tenham vários pontos em comum. As duas possuem uma visão estrutural. Na visão junguiana a psique nos é apresentada como um sistema de estruturas que se relacionam por polaridades. Por exemplo a dinâmica consciente/inconsciente). Exatamente o mesmo se dá com o corpo, os blocos (por ex.: bacia/abdômen) vão se relacionar também como polaridades. Não só os blocos, mas também os músculos, que trabalham no sistema agonista/ antagonista.
A integração da psique acontece no contato com as imagens internas (sonhos, fantasias, etc), e a do corpo pelo trabalho sobre o padrão estrutural individual e o movimento. Ambas, a psique e o corpo, funcionam à partir de um centro. Mais do que isso, um centro que é a combinação de vários centros.
A teoria que facilita o encontro de Jung e Rolf é a do Reich. Através do conceito de couraça do caráter ele vai demonstrar como o corpo e a psique interagem. Reich ensina que a defesa emocional ocorre com a contenção da respiração. O corpo vai se encolhendo em anéis horizontais impedindo que as experiências sejam integradas. Ou seja, o todo não se realiza.
Esta questão vai diretamente de encontro a teoria de Rolf, cujo centro do movimento é a dobradiça lombar/dorsal, ou seja, diafragma, que é respiração e psicologicamente emoção. Na relação corpo/psique, portanto, a questão da unidade forma-função também é válida.
Não sou o primeiro reich-junguiano. Não inventei esta vertente de estudo. Mas agora estou juntando à abordagem reich-junguiana a técnica de Rolf, a qual é bem fundamentada e muito funcional.
A integração pode começar na psique, ou no corpo. Mas qualquer que seja o início a outra metade será contaminada. Uma integração da psique trará relaxamento e integração para o corpo. E quando ocorrendo no corpo a integração levará a uma inteireza psicológica. Da mesma forma uma restrição corporal grave impedirá ou trará sérias complicações para que a psique possa integrar-se. E vice-versa. Quando as duas dinâmicas se fundem temos os graus mais altos de integração.
Jung acreditava que uma nova ciência seria criada neste século. A ciência moderna optou pelas soluções práticas, e caminhando nesta direção aboliu o significado, considerando supertições as dinâmicas psíquicas atrás dos fenômenos físicos. Este caminho se esgotou. Mesmo que as células tronco venham a funcionar (e tomara que funcionem!), o caminho da “cura do Ser” obrigatoriamente será retomado. Simplesmente porque não é mais possível vivermos dessa forma caótica e infeliz. A vida é a realização do Ser, sem isso não adiantam todos os avanços tecnológicos.
O livro não esgota o assunto, pelo contrário abre a polêmica da questão da relação mente/corpo. A ambição deste livro é lançar fundamentos para uma expansão desse pensamento psico-físico. E quando essa nova ciência vier a existir, a compreensão estrutural da alma e do corpo estará em sua base, talvez misturada com outros conhecimentos, usando outros nomes, irreconhecível, invisível, mas ela estará lá. Simplesmente porque são verdades eternas.

Nelson Coutinho é rolfista avançado, presidente da Sociedade Brasileira de Integração Estrutural e autor do livro Mandala Viva.

Método Rolf e a força de gravidade

 

Armando Macedo

A organização do corpo humano e sua relação com o ambiente são determinados de forma dramática pela força de gravidade. Mergulhados porém no campo gravitacional, como peixes no oceano, não temos consciência dela e do poder que exerce. Mas o que aconteceria conosco se a gravidade de repente mudasse de sentido? A resposta é que prontamente descobriríamos o quanto ela é importante - e determinante - em nosso mundo e em nossos corpos. É o que demonstra a animação a seguir:

Na animação vemos um mundo que não faz sentido - e se torna muito perigoso - para um personagem que está submetido a uma ordem diferente. Para ele, a força de gravidade atua em outro sentido e, por isso, tudo o que o cerca - o nosso mundo "normal" - também não faz sentido para ele. Ele não tem chão e não tem, literalmente, nada que possa sustentá-lo, porque para ele a gravidade atua em sentido horizontal, num ambiente condicionado pela verticalidade.

Em nossa realidade, porém, não é o sentido da força de gravidade que muda, mas o corpo humano. Ao desafiar o campo gravitacional, o corpo se curva, ou melhor, é forçado a curvar-se. Em última instância, a força de gravidade trabalha para horizontalizar todo corpo que não respeita sua orientação vertical, ao preço de muita dor e limitações. Como sugere a animação, o resultado final pode ser desastroso.

Por isso, o alinhamento do corpo e a consciência de sua relação com a força de gravidade e do poder que ela exerce sobre nós e o mundo em que vivemos são um dos pilares do Método Rolf de Integração Estrutural, criado pela dra. Ida Rolf.

 

Armando Macedo é profissional do Método Rolf certificado pela GSI.

Postura corporal e juventude

Regina Souza Campos

Evolução da postura corporal com o Método Rolf

Vivemos um tempo marcado pela busca da eterna juventude,e, por ela, pagamos qualquer preço.
Acreditamos  que esconder nossos números nos farão pessoas mais felizes e realizadas.
Esses numeros vão desde a data de nosso nascimento até nosso peso e os centímetros de nossa cintura.
Às vezes de forma até mesmo irresponsável, nos entregamos nas mãos dos cirurgiões, na esperança que uma transformacão opere um milagre. 
Com isso e mais aquilo, nos distraímos tanto,que nos esquecemos do maior e mais importante de todos os quesitos: nossa postura.
Vale lembrar que postura é saúde, que uma estrutura organizada, modifica a fisiologia e o emocional.
Você já parou prá pensar? Ou melhor, já parou prá olhar?
E ainda mais,olhar a si mesmo? Sempre é tempo!
Saia pra sua caminhada diária, seja ela onde for, mas fique atento aos que vão à sua frente.
Comece a notar a posição da cabeça, tente focar os ombros e ainda o movimento das pernas e braços.
Assustou-se?
Pois então agora tente perceber isso tudo em você.
Quantos anos você daria para aquele que observa?
E quantos daria a si mesmo?
Começou a perceber que a idade não está naqueles numeros que podemos esconder,nem em lugares que algum botox possa preencher?
Acima de tudo ela se mostra e se escancara numa postura caída, onde o peito se fecha, se esconde e você esconde da vida.
A vida, a "vivacidade" têm de aparecer na postura, na fluidez do corpo e do movimento...
Ela tem sw ser encarada de frente, com a cabeça erguida e o peito aberto.
Essa atitude por si só descarta a escravidão da eterna juventude e nos oferece em troca a consciência de nossas capacidades e possibilidades, que são muitas.
Isso nos concede a feliz maturidade, que tudo pode...

Regina Souza Campos é rolfista e proprietária da Flex - Pilates & Rolfing, de Campinas.